quarta-feira, 25 de abril de 2012

a juventude é maravilhosa

Ouvi um professor que gosto muito dizer que a geração de 1969, aquela que lutou pelo mundo que vivemos hoje, pela liberdade e pela democracia, num surto de arrogância, desconsiderou as gerações posteriores. Hoje vemos os jovens com duas mil janelas abertas, ouvindo o mundo num fone de ouvido e os chamamos de alienados. Esquecemos que esta geração, a da internet, é a mais bem informada que já caminhou sobre este planeta. Esta juventude tem o mundo diante dos olhos e dos dedos, além de uma capacidade enorme de engajamento e formação de redes. Depois criticamos o tal do ativismo de sofá e não percebemos que estar no conforto do seu lar, informando-se e compartilhando esta informação pode gerar uma onda capaz de mudar a si mesmo e o mundo ao seu redor. Estar ativando uma rede é a oportunidade de verificar a beleza de uma cabeça jovem e redonda.

Vi um jovem chegar no debate sobre publicidade infantil e consumismo com a cabeça feita, com opiniões mainstream, aqueles discursos construídas a partir das mensagens mais conservadoras, porém colocadas sempre com respeito. Vi este jovem ser acolhido com gentileza e educação, por mais que as pessoas discordassem daqueles pontos. Vi que ele superou a fase da negação, da resistência, da repetição, e se permitiu conhecer mais, se aprofundar, trocar ideias sem medo de pensar diferente. Vi este jovem mudar de ideia, mantendo os seus princípios. Agora o vejo defendendo outros pontos de vistas, únicos e só dele, construídos com muita informação e reflexão. Este é o valor da juventude!

Admiro você, jovem, que chegou lá achando que a proibição da publicidade era uma maneira autoritária de colocar o Estado na sala de estar e de interferir na dinâmica familiar. Você que chegou lá temeroso de não haver mais programação infantil, se não tiver propaganda para criança. Você que chegou lá defendendo um órgão que funciona para defender os negócios de uma minoria. E você que achava que o prejuízo aos negócios podiam ser maiores e mais danosos à sociedade que os prejuízos à infância. Sempre teve os olhos no coletivo, nunca advogou em causa própria. Você demonstrou ter princípios.

Admiro muito mais você, porque hoje percebeu como eu e você - de gerações diferentes - somos e fomos afetados pela publicidade e pela consumismo. Hoje você sabe que na ausência do Estado, quem tutela é o mercado, quem interfere na educação que os pais dão são as agências. Hoje você sabe que todos - todos mesmo - são responsáveis, inclusive aqueles empresários que não suportam a ideia de serem monitorados e controlados. Você está convencido de que é necessário proteger as crianças brasileiras. Admiro demais você que percebeu a existência de um caminho do meio, e até considera radicalizar em alguns pontos, se necessário.

E olha, que você ainda nem tem filhos! Seja bem-vindo, jovem, precisamos de você!

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(*) carta para um cara que mudou de ideia dentro das discussões travadas no InfanciaLivredeConsumismo

12 comentários:

Juliana Ramos disse...

Cruzando os dedos para esse jovem não ser uma exceção!
Eu também acredito na juventude!!!

Beijo

lia disse...

Mari, mais um post delicioso. Chega daqueles clichês de "ah, esses jovens!" e "pra onde esse mundo vai?". Os velhos de hoje foram os jovens de ontem, e os jovens de hoje serão os velhos de amanhã. Cabe a nós sermos responsáveis em cada fase de nossa vida, sem ficar nesse fatalismo de que as coisas só pioram. Muito fácil jogar a culpa das desgraças nos jovens (quanto mais velhos, mais tempo tivemos pra estragar este mundo). Ganhamos de um lado, perdemos de outro. Em todo caso, eu detestaria voltar pra idade média.
E, sim, como é lindo poder mudar de ideia! E como é bom ter tempo de caminhada pra entender o mundo... no diálogo entre os mais experientes e os mais frescos é que se ganha.

Patrícia disse...

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAMEI e estou mandando para um tantão de gente que PRECISA ler isto. Bjs

Dani Garbellini disse...

Emocionei. Muito.

Apesar de ter posição firme e declarada pela necessidade de
regulamentar a publicidade dirigida às crianças (e ficar com vontade de
vomitar quando vejo tentarem manipular isso para proibição, censura e
bla, bla, bla), minha vida pessoal no momento de levou a me abster de
entrar no debate/embate, mas estou espiando tudo da janelinha e com
muito orgulho.

Então, poxa, esse seu texto dá uma esperança!

Beijo e parabéns por seu empenho, e de tantos, por todos nós: crianças, pais, sociedade.

Claudiacaparroz disse...

Parabéns pelo POST. Também acredito na humanidade e consequentemente na juventude!!!!

Mariana Machado de Sá disse...

Lia, para mim este mundo está melhor a cada dia. Tem horas que achamos que piora, mas se levarmos em conta a história, percebemos que a humanidade nunca esteve num momento melhor. Acredito muito na nossa evolução como civilização! E sei que a juventude tem um papel fundamental...
Beijoca

Mariana Machado de Sá disse...

Não é, não! Já conheci uns jovens fantásticos, inacreditáveis, muito melhores do que um monte de gente que foi jovem junto comigo, ou antes de mim...

Mariana Machado de Sá disse...

Olha, Dani, tem que ter muito estômago mesmo, viu! É muito cinismo travestido de "bom-mocismo"... Mande suas good vibes, que vibração de grávida vale em dobro!

Mariana Machado de Sá disse...

Temos que acreditar!

Taisvinha disse...

Flor, é tudo verdade! Obrigada por botar em palavras o que eu tb senti.  

Silvia Azevedo disse...

Que belo texto! Mais belo ainda por ser real e não "apenas um post" ou um texto bonito de ler. E beleza maior pelo fato, pela despojamento e mudança de atitude.
Na vida "real", se todos nós experimentássemos nos despir de nossas crenças e culturas somente para ouvir o outro, ao menos uma vez, haveria menos preconceito, mais debate, mais riqueza de pensamento.

Bjo!
Silvia Azevedo

Ana Cláudia Bessa disse...

Fiquei com l'agrimas nos olhos! Estamos juntas companheira!