domingo, 27 de maio de 2012

#NadaAlémdaConstituição #3blogprog

O 3º Encontro de Blogueir@s aconteceu na Bahia, neste final de semana e eu não podia deixar de levar o Movimento Infância de Consumismo para um ambiente tão progressista.

Na mesa de abertura algumas coisas ficaram muito claras para mim: a primeira e mais importante é que aqueles que defendem o status quo e os seus negócios sempre levantam falsas bandeiras. A liberdade de expressão é a principal delas. Jornalistas e publicitários costumam usar muito este argumento. 


Só que liberdade de expressão de pensamento é exatamente o que clama o movimento social que demanda algum regramento para o setor de comunicação, tanto para o jornalismo, quando para a publicidade. ‎"Todos os setores necessitam de controle externo, inclusive a mídia" disse Emanuel, Diretor da CTB na sua fala na abertura do evento. Digo mais: inclusive os publicitários e os fabricantes de produtos infantis. 

A tônica do evento foi a demanda por uma lei que não fira a constituição, ao mesmo tempo em que contemple tudo o que está na constituição! O mote #NadaAlémdaConstituição saiu da boca de Franklin Martins e virou o novo lema daqueles que desejam uma Ley de Medios, que democratize o direito à comunicação.

É exatamente isso que queremos para a publicidade infantil: a proteção à infância garantida pela Constituição: "Nada além da Constituição e Tudo que está na Constituição!"

Vocês acreditam que este mesmo pessoal que deseja manter a publicidade infantil são os que chamam de censura e tentam derrubar a classificação indicativaA Classificação Indicativa nada mais é do que a informação que os pais precisam para serem responsáveis (leia mais aqui).



Outra coisa muito clara, que não é nenhuma novidade, é que as redes sociais, a blogosfera e o engajamento de muitos jovens é a possibilidade progredirmos no mundo... de evoluirmos. Espraiando a produção de conteúdo e ouvindo muitas vozes que jamais teriam espaço se dependêssemos da velha mídia. 

O que nós, mães blogueiras, estamos fazendo é um pedacinho da revolução, quando questionamos paradigmas, gritamos quando a mídia fala uma besteira e colocamos em xeque até mesmo as orientação dos pediatras.

Percebi, em várias falas, que eles sofrem do mesmo mal que qualquer ativista - um limite para falar fora dos muros. No caso do Movimento Infância Livre de Consumismo, enfrentamos muitas resistências para entrar na pauta diária de dilemas maternos. Tenho algumas teses sobre os motivos que levam a uma certa apatia das mães em relação a este assunto:

- é mais uma entre questões prioritárias que as mães enfrentam, 
- há falta de clareza quanto as necessidades das famílias em relação às mudanças nas leis,
- parece radical demais proibir ou regular a publicidade, 
- paira sensação de impotência diante da possibilidade de solução, que é a mudança da lei, 
- as mães acreditam mesmo que o governo vai interferir na educação dos seus filhos,
- as famílias acham que é suficiente agir na esfera privada e só resta inventar um jeito individual para enfrentar o problema.

Não consigo acreditar que seja porque não consideram que a exposição à publicidade desde o berço é danosa. Isso não!

O que vocês acham?

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Veja o que contei para Maria_FrôMãe blogueira no 3º Blog Prog nos conta sobre o Coletivo Infância Livre de Consumismo.

11 comentários:

Edna disse...

Olá, gostaria de lhe fazer um convite, porém, antes preciso tietar um pouco afinal seu site é maravilhoso Parabéns pelo trabalho! 
Seria um imenso prazer tê-lo em nosso site agregador de conteúdos Agrega Pais onde reunimos os melhores blogs direcionados para pais e mães.
Aguardo você lá, teremos muita satisfação em divulgar seu s links!
http://www.agregapais.com.br/

Taisvinha disse...

Mariana, querem derrubar a classificação indicativa? 

Márcia Boiko disse...

sobre a classificação indicativa eu não pensava na importância dela, deve ser porque eu bani a tv da minha vida, mas não havia pensado que é uma importante forma dos pais orientarem seus filhos, ainda que a gente saiba que muitos não sigam essa indicação, não é justo deixar a tv mais oba oba do que já está.

eu acho que atualmente você falar no assunto de regulamentar a publicidade infantil, para a maioria das pessoas que toco no assunto, sempre soa radical e some a isso dizer que levanto a bandeira do feminismo, afff... eu tento ser o mais prudente possível, mas quando digo que meus filhos não assistem tv, acham que é coisa passageira, que é só esperar eles crescerem! as pessoas não pensam que existem atividades mais favorárveis e bacanas pras criança e que o fato deles escolherem o desenho que querem ver na hora que bem entenderem é muito mais livre do que ficar esperando a hora do desenho favorito, por exemplo.
 muitas acham que publicidade faz parte da nossa cultura, que é assim mesmo. difícil, mas todo movimento começa de algum lugar e vai ganhando força aos poucos.

beijos e parabéns pelo engajamento na luta! 

Mariana Machado de Sá disse...

De acordo com o que ouvi lá no #3blogprog já são quatro votos favoráveis ao fim da classificação indicativa. Vou pesquisar mais, porém temos que nos mexer!

Mariana Machado de Sá disse...

é verdade, Márcia, todas as pautas mais progressistas ganham resistências incríveis!

Mil Cachinhos disse...

oi Mari,
vou falar por mim, que ouvi falar de regulação da publicidade infantil pela primeira vez aqui no Viciados: a primeira dificuldade é a desinformação. Eu realmente nunca tinha pensado em regulação da publicidade para crianças, simplesmente porque incorporei que "as coisas são como devem ser", e nunca questionei que podessem ser diferente. Sim, ficava indignada com alguns abusos, mas sempre achei que havia orgão competente para barrá-los e isso bastava. Suas discussões me abriram outras perspectivas, mas no meu primeiro contato com o tema me causou estranhamento. Por mais que eu fosse preocupada com a relação infância e consumo, e com o conteúdo de TV, músicas, filmes, etc que minha filha tem acesso, sempre achei que cabia apenas a mim e ao pai dela cuidar disso. Tudo que é novo causa mesmo estranhamento, cheira a radicalismo e "viagem mental", mas putz, é muito tempo de lavagem cerebral nas costas, e quebrar com certos paradigmas dentro da nossa cabecinha é mesmo um desafio, para quem recebe e para quem passa a nova informação. São apenas 4 mil "perdidos" no mar dos 190 milhões, mas é bom saber que sou sementinha de uma nova idéia, de uma nova forma de pensar, e no futuro, de uma nova forma de agir. Eu ainda estou quietinha, fazendo a revolução na minha cabeça e no meu dia-a-dia, mas morro de orgulho de você!

bjs,
Mil Cachinhos
www.cachinhosleitores.blogspot.com

Beatriz Zogaib disse...

Para mudar a questão da publicidade infantil, acho que será preiso muita força. Movimentos, discussões e, talvez nem assim, a coisa toda aconteça. Porque há interesses muito maiores do que os dos pais conscientes certo? E pais nem tão conscientes, que não fazem questão alguma que a coisa mude.
O ideal seria sim a publicidade voltada a nós, pais. Senhores publicitários, nos convençam se forem bons!!! Porque criança é fácil de convencer quando o assunto é brinquedo né?
Mas vamos falando, discutindo, apontando, quem sabe assim...
Grande beijo Bia

Ivana Luckesi - coisa de mãe disse...

Derrubar a classificação indicativa? Que perigo! Acho fundamental a classificação como suporte de orientação aos pais.

Mari, quanto à "apatia" em relação ao assunto, acho que tem um pouco de tudo o que vc falou. A maternidade é cheia de dilemas e problemas que as mães enfrentam todos os dias e esse seria mais um para se preocuparem (e as mães estão correndo de mais problemas). Dentre todos, esse problema seria, em tese, "o mais fácil" de contornar, porque você tem como controlar o tempo que seu filho fica em frente à TV (quando está em casa), tem como oferecer outras opções e conversar muito (mesmo sabendo da pressão que está em torno disso, na escola, no convívio com os amiguinhos consumistas, nos parentes que enchem as crianças de brinquedos desnecessários etc.). Ou seja, poucos refletem sobre a questão com um alcance maior (pensando naqueles que não tem acesso a tanta informação ou não tem condições de educar diretamente seus filhos, terceirizando-os),  a longo prazo e considerando os efeitos que a publicidade infantil provoca nos nossos filhos (e aí entra efeitos psicológicos, comprometimento da autoestima, inversão de valores etc.). É cômodo deixar como está ou entregar os pontos para que outros resolvam. Ir contra tudo isso dá trabalho, exige dedicação.Pra quem tem consciência do problema, e do tamanho dele, vem a sensação de impotência mesmo, de descrédito numa mudança legislativa, porque a força do empresariado, anunciantes e publicitários é muito grande e opressora. Outros ainda acreditam que só existe a possibilidade da proibição da publicidade dirigida ao público infantil, quando outras alternativas existem e podem se revelar muito eficazes, a exemplo de uma lei editada pelo Congresso tratando do assunto.Com tudo isso, com todas as dificuldades, vale a pena sim lutar por uma infância melhor, livre! E o caminho é esse mari, divulgar, debater, conversar, movimentar-se! O que o ILC está promovendo é uma loucura, um passo enorme e tenho certeza de que os frutos virão, sem falar na reflexão que já consegue provocar em milhares de pessoas. EU ACREDITO NESSE MOVIMENTO!Adorei o vídeo, parabéns! Acho que disse muito, sem rodeios, e com uma clareza invejável. Vou compartilhar!bjo!

Mariana Machado de Sá disse...

Ivana! UAU!
Posso compartilhar esta sua fala lá na fan page?
Temos agora uma sessão para os pais dividirem suas reflexões!
Beijoca

Ivana Luckesi disse...

Claro Mari, um prazer!

Carolina Pombo disse...

Mari, acho que tem todos esses motivos que vc indicou. E tem uma coisa meio "pirâmide de Maslow". Se ainda não conseguimos conquistar uma licença decente para amamentar, imagina conquistar espaço na mídia, brigar de igual pra igual com as grande empresas! As coisas no Brasil estão caminhando, a democracia está se consolidando. Até pouco tempo atrás aqui era uma ditadura militar. Tem um ranço histórico, uma apatia que serve um pouco como auto defesa, entre as famílias brasileiras. Mas, eu acho que esses movimentos mais progressistas estão crescendo e experimentando formas mais eficazes de entrarem na vida privada das famílias médias. O Infância Livre de Consumismo é um belo exemplo disso. Não é fácil construir um movimento social partindo desse terreno. A gente se atropela, usa de ferramentas mais ou menos eficazes, se decepciona com as pessoas, se apaixona pelas causas... Estamos, como cidadãs, aprendendo a democracia no dia a dia, a tirar a ação política das épocas de eleição e da relação passiva com o horário eleitoral. Vocês estão perseverando! Que bom! Suas vozes estão sendo ouvidas e sendo apropriadas aos poucos por nós. Eu inclusive, apesar de me reconhecer uma ativista contra o consumismo, me sinto sempre em falta com os movimentos sociais mas ao mesmo tempo, sem dúvida, bebo de suas palavras e me identifico bastante. Parabéns pela iniciativa e pelo engajamento!